Programa do SENAI vai elevar produtividade do setor automotivo pelo Rota 2030

O Brasil tem capacidade de oferecer ao mundo inovação disruptiva no setor automotivo, a partir de R$ 200 milhões anuais disponíveis no programa Rota 2030, avaliou, nesta sexta-feira (20), o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi. Em cerimônia na sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em São Paulo, ele assinou Oi, junto com o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, parceria com o governo federal na qual o SENAI vai colocar sua estrutura de educação e de Institutos de Inovação e de Tecnologia para aumentar a produtividade das empresas do segmento.

Um dos pilares do Rota 2030 é investir em inovação na cadeia de valor do setor automotivo. O governo zerou a alíquota de importação de autopeças e, em troca, as indústrias depositam 2% do valor importado em um fundo, que destinará recursos em seis programas prioritários. Após disputar com outras instituições, o SENAI habilitou-se para gerenciar o eixo de produtividade e já está autorizado a captar R$ 40 milhões, dos R$ 100 milhões disponíveis. A previsão é que o fundo arrecade R$ 1 bilhão em cinco anos.

“A inovação acontece nas empresas, mas depende de um contexto, de um ecossistema, ninguém inova sozinho. Por isso, a importância da iniciativa combinada de instituições de conhecimento e de uma ação estratégica da agenda de política pública sob uma lógica de governança destinada a gerar valor, riqueza para o país. Essa é a compreensão do SENAI e a forma como nos envolvemos neste projeto”, explicou Lucchesi. Ele também elencou projetos destinados ao setor automotivo que já são desenvolvidos na rede de 26 Institutos SENAI de Inovação, como uma tinta regenerativa de veículos e baterias mais eficientes para automóveis com sistema start-stop para um consórcio de 11 pequenas indústrias.

RECURSOS – Durante a cerimônia, Carlos da Costa destacou o fato de os recursos do fundo de inovação do Rota 2030 não passarem pelo Orçamento da União. Os valores serão depositados pela indústria e recebidos diretamente pela instituição credenciada escolhida por ela, sem intermediação do governo. “O Brasil tem muito a inovar, mas precisa de duas coisas: de um ambiente (institucional) mais simples e que o recurso chegue ao setor privado. Infelizmente, há uma distorção de recursos públicos para inovação no Brasil, já que, em comparação com outros países, muito pouco chega ao privado em termos percentuais. Precisamos levar para o setor privado os recursos de inovação e o Rota 2030 é exemplo disso”, defendeu o secretário especial.

 Cerimônia de assinatura de parceria que deve destinar R$ 200 milhões ao ano para a inovação do setor automotivo brasileiro

A inovação acontece nas empresas, mas depende de um contexto, de um ecossistema, ninguém inova sozinho. Por isso, a importância da iniciativa combinada de instituições de conhecimento e de uma ação estratégica da agenda de política pública sob uma lógica de governança destinada a gerar valor, riqueza para o país – Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI

O eixo gerenciado pelo SENAI é uma jornada rumo à Indústria 4.0. A indústria importadora de peças poderá matricular seus gestores de produção e inovação no Master in Business Innovation (MBI) em Indústria 4.0 oferecido pela instituição. A pós-graduação é destinada a dirigentes de empresas que desejam obter ganhos de produtividade por meio da utilização de tecnologias digitais, como internet das coisas, big data e inteligência artificial.

Os fornecedores da cadeia automotiva também vão receber consultoria dos Institutos SENAI de Inovação para reduzir desperdícios em seu processo produtivo, por meio de técnicas de manufatura enxuta (lean manufacturing). Serão investidos R$ 12 milhões no atendimento de empresas que se inscreverem no programa. O critério de escolha será a ordem de chegada. Outro passo será a digitalização das empresas participantes, por meio do uso de sensores, computação em nuvem e big data. A previsão é investir R$ 24 milhões na iniciativa, nesta primeira etapa de captação de recursos.

 Lucchesi (E) e Carlos da Costa (D) na assinatura de parceria com o governo federal com o programa Rota 2030

INOVAÇÃO – O programa prevê ainda o desenvolvimento de novos produtos e processos na rede de Institutos SENAI de Inovação. Cada projeto poderá receber de R$ 2 milhões a R$ 8 milhões, e deve contar com contrapartida da empresa do setor automotivo. Além disso, o SENAI fará um trabalho de projeção do futuro da indústria automotiva, por meio de uma plataforma de geração e disseminação de conhecimento.

“O SENAI está fazendo um trabalho maravilhoso com seus Institutos de Inovação e as demais instituições habilitadas também possuem experiência relevante na área. Com esses órgãos, com certeza, vamos ter grande êxito no programa”, elogiou o diretor do Departamento de Tecnologias Estruturantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Jorge Mário Campagnolo. “A ciência, a tecnologia e a inovação são pilares que temos de buscar para melhorar a nossa tão buscada competitividade da economia”, completou.

Além do SENAI, foram credenciadas para gerenciar os recursos do fundo a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii); a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep); o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep). Os valores serão investidos em programas de mobilidade, logística, biocombustíveis, segurança veicular, propulsão alternativa, entre outros temas.

“A indústria de veículos passa, mundialmente, pela maior revolução, um momento de grandes mudanças, de desafios, em toda sua história. As demandas do novo consumidor fazem com que tanto o modelo de negócio quanto os veículos que produzimos tenham de mudar radicalmente”, explicou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. “Em uma era de escassez, os recursos gerados pelo fundo do Rota 2030 adquirem uma importância ainda maior. Esse programa é um potente indutor da competitividade na medida em que vai gerar soluções tecnológicas de ponta, baratear componentes e qualificar nossa mão de obra”.

Por portaldaindustria.com.br