Bolsonaro, ‘o inflamador’: mídia internacional sobe o tom de críticas ao Brasil

Site da revista alemã Der Spiegel
Image captionNo site da revista alemã Der Spiegel, Bolsonaro foi descrito como um ‘inflamador’

Por BBC News Brasil

“O Inflamador” é como o site da influente revista alemã Der Spiegel se refere ao presidente Jair Bolsonaro, que segue ganhando grande destaque na mídia mundial nesta sexta (23/8). Vários líderes mundiais – e textos na imprensa – subiram o tom das críticas ao governante brasileiro por sua postura diante da crise das queimadas na Amazônia.

“Desde que o Brasil é governado pelo pregador de ódio de extrema direita Jair Bolsonaro, o mundo olha com preocupação ao principal sistema ecológico da Terra”, opina a Spiegel.

A revista relata a desconfiança do presidente de que ONGs estariam envolvidas nos incêndios florestais. “É bobagem, mas combina com a visão de um homem que também acredita que ir ao banheiro uma vez a cada dois dias seria uma boa contribuição para a proteção do meio ambiente”, diz a publicação.

No americano Washington Post, reportagem diz que “os sinais da crise (ambiental) estão por todos os lados”, citando a nuvem espessa que cobriu São Paulo recentemente e o aumento das discussões sobre a Amazônia nas redes sociais.

“Mas o presidente Jair Bolsonaro, o homem que teria a maior capacidade para conter a crise na Amazônia, não está apenas desdenhando o problema. Está insinuando que isso está sendo orquestrado para prejudicá-lo.”

Reportagem do NYT sobre incêndios
Image caption’Com Amazônia incandescente, Brasil enfrenta revolta global’, diz reportagem do New York Times

No New York Times, reportagem de quinta-feira (22/8) afirmava que “enquanto dezenas de incêndios queimavam grandes partes da Amazônia, o governo brasileiro lutava para conter a indignação global quanto a suas políticas ambientais, que pavimentaram o caminho para o desmatamento descontrolado na maior floresta tropical do mundo”.

No Reino Unido, o jornal The Guardian afirmou que “Bolsonaro piorou as coisas ao enfraquecer a agência (de fiscalização) ambiental, atacar ONGs de preservação e promover a abertura da Amazônia para mineração, agricultura e madeireiras”.

“O líder de extrema direita desconsiderou dados de satélite sobre desmatamento e demitiu o chefe do instituto de pesquisas espaciais (Inpe). Mas não é só culpa dele. O lobby do agronegócio é forte em Brasília e tem continuamente erodido o sistema de proteção (ambiental) tão bem-sucedido entre 2005 a 2014. O desmatamento cresceu nos últimos cinco anos, sob o governo dos presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer”, acrescenta o texto.

No site do jornal econômico britânico Financial Times, uma das manchetes desta sexta era “Críticas internacionais aumentam por conta de incêndios na Amazônia”, destacando a reação de governos europeus – como o irlandês e o francês – ameaçando não apoiar a ratificação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, tema que deve ser discutido em encontro do G7 neste fim de semana, na França.

A declaração do governo francês de Emmanuel Macron, que acusou Bolsonaro de “mentir” sobre seu compromisso com metas climáticas no encontro de ambos em junho, no G20, estampou a manchete online do jornal francês Le Figaro.

Enquanto isso, o Le Monde afirmou que “a Amazônia paga (o preço pela) política do presidente brasileiro”, citando o aumento nas queimadas neste ano em relação ao ano anterior.