Agressividade: A necessidade de controle pode destruir relacionamentos

POR LUCIANA KOTAKA

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É importante avaliar o que de fato está por trás dessa necessidade de sentir-se superior ao outro

O tema desse texto é perturbador para muitas pessoas, só quem já passou por situações onde foi exposta a pessoas controladoras sabe quanto é difícil o convívio. O emprego do poder para conseguir alcançar objetivos pode levar a rastros de destruição, talvez em algum momento a ficha caia, mas mesmo assim, alguns seguem passando por cima de outras pessoas como um tornado, levando tudo, inclusive o afeto das pessoas com quem convive.

Comportamentos agressivos, necessidade de dominar o outro ou situações, escondem pessoas altamente vulneráveis, carregam uma história de abandono, falta de afeto, de validação e muitas vezes, violência física ou sexual.

A questão é que quem convive com essas pessoas acabam sofrendo consequências das quais não tem nenhuma responsabilidade, não conhecem a história de vida e nem fazem ideia de é dolorido essa busca incessante do outro, do quanto gostariam que pudessem ser diferentes.

Porém, quando os mesmos já conseguem identificar em si mesmos essa dinâmica, aí cabem a eles buscar ajuda e controlar esses impulsos desenfreados. A autorresponsabilidade é de extrema importância, um exercício contínuo de parar, pensar, se autoavaliar e mudar comportamento.

Exercer o poder, humilhar, pisar em pessoas com as quais convive não irá de forma alguma aliviar o sofrimento, é como as pessoas que utilizam a comida para aliviar a tristeza, traz um alívio por minutos e logo voltam a ficarem tristes. Maltratar com o objetivo de ter poder, sentir-se no controle por momentos não irá apagar as dores do passado, sua história continuará lá te assombrando. A necessidade de humilhar o outro é uma defesa que utiliza-se para proteger o eu interno que está frágil, uma forma de expurgar os demônios internos que o atormentam e que guarda lembranças dolorosas.

Antes que sua vida se transforme em ciclos de desafetos, olhe para si mesmo, pense na sua responsabilidade em mudar, buscar ajuda e ressignificar suas experiências do passado. Mas, se já está nesse caminho e mesmo assim não consegue mudar, é o momento de fazer uma avaliação sincera a respeito de si mesmo e pensar até que ponto realmente quer mudar, pois ao contrário, seguirá em um círculo vicioso de autodestruição, e agora meu amigo, você é o responsável por essa escolha.LUCIANA KOTAKA é psicóloga, colunista, blogueira, escritora apaixonada pelo comportamento humano, em busca constante do papel da obesidade e dos transtornos alimentares como sintoma de uma sociedade ansiosa e angustiada.

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